2008/01/03

Fumar mata mesmo!!! (os neurónios)

Fico pasmado com a discussão gerada pela entrada em vigor da lei do tabaco. A quantidade de parvoíces tem sido tal, que dou por mim a perguntar se estes indivíduos não andam a juntar "ervinhas aromáticas" aos seus adorados cigarros.

A parvoíce mais comum prende-se com o facto de se sentirem discriminados ou perseguidos até, colocando-se em alguns casos no lugar de inocentes perseguidos, como se de perigosos criminosos se tratassem.

No fundo e para um grande número de fumadores, esta nova lei é nada mais, nada menos que um atentado à sua liberdade.

Esquecem pelos vistos de abrir os olhos para o que se passou durante todos estes anos, mas provavelmente não os abrem por causa do fumo de mais um prego para o caixão.

Como podem estas pessoas falar em atentados à liberdade, quando não conseguem ver que a liberdade daqueles que não fumam e que não querem fumar por simpatia, também merece ser respeitada.

Penso ser ponto assente que não pudemos usar o argumento da liberdade nesta discussão. Ambas as liberdades têm igual peso para serem tidas em conta e respeitadas.

Alguns fumadores queixam-se agora de não ver a sua liberdade respeitada. Mas o caricato é que quem diz isto são aqueles que durante anos e anos não respeitaram a liberdade daqueles que não fumam. É no mínimo uma falta de moral usar este argumento.

Esta questão deve ser vista como sendo de saúde pública e não de liberdades. Nesse contexto a nova lei é um grande contributo para a melhoria da saúde publica dos portugueses e penso que isso é inquestionável.

Alguém é capaz de afirmar que o tabaco não faz mal?

Alguém é capaz de afirmar que aqueles que não fumam são prejudicados e bem pelo fumo dos fumadores?

Existem até casos de não fumadores que trabalham em locais onde o fumo reina, que quando fazem exames são confundidos com fumadores, por apresentarem pulmões prejudicados pelo tabaco.

É ridículo no mínimo, o alarido que se tem gerado. Todos os argumentos que os fumadores usam, podem ser usados pelos não-fumadores.

Também eu poderia dizer que fui perseguido durante anos pelo fumo dos outros.

Também eu poderia dizer que a sociedade me discriminava e não respeitava o meu direito a não fumar o fumo dos outros.

Também eu poderia dizer que a minha liberdade não estava a ser respeitada e que eu era um cidadão de segunda.

No entanto existem duas diferenças substanciais entre estas duas realidades, entre o antes e o após lei.

Em primeiro lugar com a nova lei ninguém fica proibido de fumar. Quem quiser pode continuar a matar-se, alimentando o seu vicio durante o tempo que quiser. Apenas não o pode fazer em locais onde estejam outras pessoas que não partilhem do mesmo vicio.

Antes desta lei, quem fumava podia fazê-lo mas quem não fumava tinha de fumar na mesma. Isto se não quisesse estar sempre enfiado em casa.

Mas pelos vistos para alguns, assim é que a liberdade era respeitada. A liberdade deles por sinal, porque a liberdade dos outros não interessa para nada.

A outra diferença prende-se com o respeito pela saúde pública. Antes não havia nenhum neste capitulo e hoje em dia com a nova lei passa a haver.

A partir do passado dia 1 de Janeiro, quem quer fumar pode continuar a fazê-lo. Mas a saúde daqueles que felizmente não têm esse vício ficou muito mais protegida.

Por tudo isto, seja muito bem-vinda esta lei. Para mim, só peca por tardia.

5 comentários:

  1. Deixo apenas um testemunho do que se lá fora:
    Na semana passada viajei em trabalho para Genebra. Alguns dos meus colegas quiseram fumar quando estavam no aeroporto de Geneve. Naturalmente dirigiram-se para um local exterior do aeroporto onde tinha cinzeiros, ou seja, local onde é permitido fumar. No entanto, fiquei admirado com o olhar espantado dos suíços como que a recriminar por eles estarem a fumar.
    Este é um exemplo dum país que em tudo se situa a léguas de distância à nossa frente em todos os aspectos. Para eles os fumadores são apenas fontes de gastos (de dinheiro e tempo) desnecessários na saúde do país.
    Eu não sou tão radical como eles, mas de facto já era tempo de ser respeitado o direito dos não-fumadores a terem locais públicos livres do fumo dos outros.
    Só tenho pena que a lei não seja coerente, pois da forma que está vai criar tensões entre os empresários da hotelaria, pois as desconfianças entre eles vão estar na ordem do dia quando a ASAE entrar pelos cafés dentro e multar os prevaricadores.
    Como alguém disse:
    Não cumpram a lei... não fumem mesmo nos locais em que é permitido! (Pela vossa saúde e carteira)
    Bom ano de 2008 sem fumo!

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  2. acho que em matéria de tabaco estamos de acordo... xD

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  3. Parece que sim... ao menos concordamos neste assunto. ;)

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  4. Sou fumadora, e apesar disso, concordo com o respeito dos direitos dos não fumadores.
    Acho até lamentável que se tenha que chegar ao ponto de legislar, o que deveria ter partido do bom senso de cada um.
    Fumar enquanto na mesa ao lado de toma uma refeição (seja o comensal fumador ou não), parece-me de uma enorme falta de respeito.
    Relativamente à lei, acho que peca pelo exagero num ou noutro ponto, mas já se sabe como funciona. Neste país e nestes últimos anos, só se herdam e se extrapolam, leis que possam vir a resultar em receitas para o estado.
    Se falarmos de saúde e educação no contexto do investimento...esqueçam.

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  5. Faço meus os teus argumentos.

    Infelizmente, neste momento, por estar em Riade, estou num "regresso ao passado", onde basicamente se fuma onde se quer... e o tabaco é menos de metade do preço do que em Portugal.

    Espero voltar à modernidade em breve, LOL!

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